Release That Witch — O Que Será do Donghua?
Release That Witch — O Que Será do Donghua? Análise do Futuro da Série | Estúdio: Thundray | Diretor: Sun Meng | Distribuidor: Yuewen Animation Streaming: Crunchyroll | Baseado em: Web novel de Er Mu (completa)
O Que É Release That Witch Antes de falar do futuro, vale contextualizar. Release That Witch é um dos donghua mais esperados da última década — baseado numa web novel publicada na plataforma Qidian que acumulou uma base de fãs massiva na China e ganhou reconhecimento internacional através da adaptação em manhua. A série acompanha Roland Wimbledon, um engenheiro moderno reencarnado como príncipe num mundo inspirado na Europa medieval, que utiliza magia e tecnologia para desencadear uma revolução industrial em seu território enquanto lida com conspirações familiares e a ascensão da Lua Demoníaca.
O apelo da obra vai além do isekai convencional: em vez de protagonistas com poderes invencíveis, Release That Witch apostou desde sempre num herói cuja maior arma é o conhecimento técnico — e nas bruxas que transformam esse conhecimento em realidade. O donghua se destacou por tratar a magia não como superpoder espetacular, mas como ferramenta funcional para uma revolução social e tecnológica.
Os Problemas: Uma Cronologia do Caos A história da produção desta série é, para usar uma palavra da própria comunidade, um “inferno de produção” que começou muito antes da estreia.
Fase 1 — O Anúncio e o Silêncio (2024) Após o anúncio e lançamento do trailer em 2024, a ausência de uma data de estreia e os rumores de que o estúdio Thundray não tinha financiamento suficiente levaram muitos fãs a acreditar que o donghua seria cancelado. O projeto estava essencialmente paralisado, sem comunicação oficial.
Os problemas de produção foram confirmados pelo próprio diretor Sun Meng, numa live no BiliBili em 2024. Nessa mesma live, Sun Meng revelou um detalhe que viria a definir toda a controvérsia que cercaria a série: o donghua era originalmente planejado para até 24 episódios, mas problemas com o distribuidor da série, a Yuewen Animation, reduziram drasticamente o projeto.
Fase 2 — O Corte e a Estreia Truncada (2025–2026) Vinte e quatro episódios se tornou doze. Doze se tornou oito. O planejamento original de 24 episódios foi reduzido para 12, e finalmente para apenas oito por restrições orçamentárias. Ainda assim, o primeiro episódio foi lançado no Crunchyroll em 2 de março de 2026, seguindo um anúncio feito apenas em novembro de 2025. Ou seja, da confirmação à estreia, foram menos de quatro meses — tempo insuficiente para qualquer campanha de marketing significativa.
O resultado é que a série estreou no Crunchyroll praticamente sem promoção, o que fez com que passasse em grande parte despercebida apesar de mudanças no design dos personagens que também dificultaram que fãs do manhua reconhecessem a obra.
Fase 3 — Boa Recepção, Futuro Sombrio (2026) Paradoxalmente, quem assistiu ficou impressionado. Apesar dos rumores de “produção infernal” circulando no Reddit e em círculos da indústria, a animação se manteve consistentemente convincente. A série não entregou o espetáculo que 24 episódios proporcionariam, mas entregou qualidade dentro do que tinha.
O problema é que o público que chegou foi pequeno demais. A limitação de promoção por parte da Yuewen Animation e do Crunchyroll tornou difícil para muitos simplesmente descobrirem a série, e o momentum que deveria ter a tornando popular foi mais lento do que o esperado.
O Que o Diretor Disse: A Declaração Que Abalou o Fandom O ponto de virada na conversa sobre o futuro da série foi uma entrevista do diretor Sun Meng compartilhada no BiliBili após o oitavo episódio. O que ele disse foi direto e devastador para os fãs:
Ao ser perguntado se a segunda temporada permaneceria apenas como projeto planejado, o diretor declarou que não acredita que haverá uma continuação — e que tudo depende dos detentores dos direitos autorais.
Sun Meng também foi claro sobre por que o problema não é de recepção, mas de estrutura:
“Sobre o planejamento deste projeto, acho que é assim. Como este assunto tem pouco a ver com uma certa plataforma, mas está relacionado ao detentor dos direitos autorais.”
Em outras palavras: mesmo que o Crunchyroll e os fãs internacionais queiram uma segunda temporada, a decisão não está nas mãos do estúdio que animou a série.
A única janela deixada aberta foi condicional:
“Se performar bem lá fora, mesmo com apenas oito episódios, se o boca-a-boca e as vendas forem boas — em todo caso, somente se os detentores dos direitos autorais recuperarem seu investimento é que estarão dispostos a investir novamente.”
A Raiz do Problema: Quem Detém o Controle? O centro de tudo é uma questão de direitos e financiamento corporativo. A Yuewen Animation é subsidiária do grupo China Literature (阅文集团), um dos maiores conglomerados de literatura online da China e detentor dos direitos da web novel original de Er Mu. É a Yuewen quem decide se o projeto avança — não o estúdio de animação, não o diretor, e definitivamente não os fãs internacionais.
Os obstáculos financeiros que encurtaram a primeira temporada simplesmente não desapareceram. A ponte de produção de volta aos detentores originais do IP permanece um caminho difícil de navegar.
O modelo em que o donghua foi construído coloca o estúdio criativo (Thundray) numa posição de contratado, sem autonomia para decidir o futuro da propriedade intelectual que animou.
O Que a Comunidade Está Fazendo Diante do cenário, os fãs reagiram de forma organizada. Da criação de petições online a campanhas nas redes sociais, espectadores estão tentando aumentar a visibilidade da série. Muitos estão deixando avaliações positivas, compartilhando clipes do show e incentivando a comunidade anime a assistir pela plataforma oficial.
A lógica é simples: se a única variável que pode mover a Yuewen Animation é receita, então cada visualização no Crunchyroll é um voto real pelo futuro da série.
As Possibilidades em Aberto Cenário 1 — Continuação via Crunchyroll O Crunchyroll demonstrou interesse em conteúdo de donghua, particularmente após o sucesso global de Lord of the Mysteries no verão de 2025. Se os números de Release That Witch continuarem crescendo organicamente, uma co-produção com investimento ocidental que viabilize a segunda temporada é possível — mas improvável no curto prazo.
Cenário 2 — Plataforma Chinesa Assume A Yuewen poderia decidir financiar uma segunda temporada como produção interna para o mercado doméstico, com distribuição internacional como subproduto. Esse é o caminho mais provável se a série performar bem em plataformas chinesas como o Bilibili.
Cenário 3 — Apenas o Novel Existirá O web novel original de Er Mu está completo com 1.498 capítulos (finalizado em 4 de junho de 2019), e o manhua encerrou no capítulo 695. Para quem precisa de closure, a história existe integralmente em texto. Para muitos fãs, esse pode ser o único final disponível.
Veredicto Release That Witch é a história de uma adaptação que quase não aconteceu, foi desmontada antes de estrear, chegou ao público de forma quase invisível — e ainda assim deixou uma impressão genuína em quem a assistiu. Em oito episódios, o donghua funcionou como uma porta de entrada vibrante e de alta qualidade para o romance original, mas o que entregou foi essencialmente um prólogo.
O problema não é de qualidade. É de estrutura industrial. Quando os direitos de uma IP estão fragmentados entre distribuidora, estúdio e plataforma — e quando a distribuidora foi quem causou os cortes originais — o caminho para uma segunda temporada exige que todas essas partes se alinhem em torno de um interesse comercial comum. Esse alinhamento ainda não aconteceu.
Por ora, a porta não está fechada. Mas tampouco está aberta.